Papo de Ilustrador

Um espaço para você conhecer mais de perto o trabalho da ilustradora Anielizabeth.

24/8/08

Bienal do Livro - São Paulo 2008

Livraria Martins Fontes, Avenida Paulista, sexta - feira, 15 de agosto!

Lançamento da Sandra Pina, Marília Pirillo e Luis Antonio Aguiar, pela Editora Biruta!

São Paulo é sempre uma festa! E entre amigos, então…

criado por anniebcruz    21:02 — Arquivado em: Sem categoria

9/8/08

Livro novo em produção

A Flávia Côrtes e eu estamos produzindo um livro novo.

Aguardem… Enquanto ele não chega, fiquem com a foto de nossa nova criação:

criado por anniebcruz    20:30 — Arquivado em: Sem categoria

Mais uma vitória da AEI-LIJ!

A AEILIJ conseguiu marcar mais um ponto para a Literatura Infantil e Juvenil e para as escolas, junto ao MEC.

Foi um momento histórico para nós, amantes e profissionais da literatura!

Confira, abaixo, parte do texto apresentado no Fórum Literatura nas Escolas – Brasília, 24 e 25 de julho de 2008.

O TEXTO, NA ÍNTEGRA, PODE SER VISTO NO SITE DA AEILIJ: www.aeilij.org.br

Novas reflexões sobre um espaço especial para a literatura na escola

Vale aqui uma consideração em relação à formação deste professor mediador. Precisamos garantir que os cursos de formação de professor garantam a cadeira de literatura infantil e juvenil como parte dos currículos regular, seja nos cursos de nível médio, seja nas faculdades de Letras, Pedagogia e Biblioteconomia. Só depois que nossos futuros professores estiverem formados qualitativamente em relação à literatura infantil e juvenil, poderemos falar em uma formação continuada.
Nossa sugestão para um primeiro passo nessa direção é a elaboração de uma espécie de guia, manual, ou seja lá o nome que vamos dar a este material, que traga novas diretrizes para os professores e bibliotecários. Esse material seria organizado pelo MEC em parceria com o MINC. Essa parceria marcaria um avanço para o trabalho com a literatura nas escolas, uma vez que deixaria claro que Educação e Cultura estão andando de mãos dadas. Fato inédito, uma vez que livro está ligado à educação quando deveria estar ligado também à cultura. Este guia destina-se à distribuição em todas as escolas publicas do país. Juntamente com esse material, é importante que chegue à escola um profissional especializado com a função de capacitar TODOS os professores da escola, de todas as matérias, garantindo assim que material e proposta não se percam no meio das burocracias escolares.
O material que propomos deve mostrar de modo claro que, para garantirmos que o leitor vá além do ambiente escolar, ele precisa gostar de ler. Não podemos continuar perdendo aquele leitor maravilhado da infância. Não podemos perder o encantamento que tínhamos quando crianças e descobríamos as histórias que nos fascinavam. Não nos era cobrado “achar” nada, apenas sentir. O guia também deve deixar claro que literatura não foi feita para ser dever e nem ser cobrada de forma autoritária e limitadora. Por outro lado, deve permitir que cada leitor aprenda a ter vez e voz ao ler um livro. Ter opinião, ter o direito de não gostar de um livro, mas, sobretudo, aprenda a ser um leitor crítico. Pode parecer uma idéia simplista, mas se os professores e bibliotecários trabalhassem de forma apaixonada em relação aos livros, teríamos meio caminho andado. Se lessem com amor metade do trabalho já estaria pronta.
É preciso ler para trocar idéias, para debater, para falar da vida, ou mesmo para ficar em silêncio, se assim desejarmos. Ler pelo prazer de ler uma boa história ou pelo seu encantamento. Isso, de um modo geral, só existe até o quinto ano do ensino fundamental, onde os professores ainda valorizam o lúdico e o imaginário. A partir do sexto ano aparentemente some o lado lúdico, artístico, criativo, e a literatura vira uma obrigação chata e enfadonha. O aluno acaba por ser afastado dos livros. Por outro lado, quando lhe são oferecidos espaços interessantes e mediadores comprometidos com o livro, tudo ganha novas cores. Queremos esse encantamento como regra e não como exceção.
Já está mais do que na hora de resgatarmos nossa voz, outrora perdida nos bastidores da ditadura, e permitirmos que as histórias ganhem vida e que alunos e professores possam ter sentimentos e sonhos. É preciso resgatar e garantir o espaço da emoção e da opinião dentro da escola. Vivemos em uma época onde é possível – e necessário – pensar, ter idéias e senso crítico, mas o que nos parece é que a escola, na medida em que os anos avançam, faz as pessoas perderem sua voz e sua criatividade. Como professores podem ser criativos se eles próprios perderam sua criatividade e sua voz critica? É preciso resgatar a auto-estima do professor e lhe dar espaço para atuar de forma qualitativa. É preciso fazer com que todos na escola se sintam capazes de trabalhar com o texto literário. E para isso é preciso encantar professores e/ou bibliotecários: estes mediadores de leitura. Em primeiro lugar, eles precisam criar um acervo literário pessoal para serem capazes de dialogar com os livros e com os alunos. Os professores precisam ler, sonhar e se apaixonar pela literatura para começarem a transmitir essa paixão para seus alunos.
O que queremos? Um leitor robotizado? Que saiba decorar capítulos e depois tenha raiva dos livros? Ou um leitor que saiba mergulhar nas páginas de um livro e fazer pontes com outras histórias; que goste dos livros fora do ambiente escola/obrigação?
Nós queremos um leitor do mundo, um leitor para o resto da vida, que saiba ir a biblioteca, que goste de ir à livraria comprar seus livros preferidos e saiba dialogar sobre as histórias. Que tenha senso crítico para avaliar a qualidade literária de uma obra. Mas isso só será possível lendo e tendo espaço para pensar.
A literatura precisa ser tão valorizada quanto qualquer outra disciplina. Por que baniram a literatura das escolas? Será que não era mais útil ter literatura nas escolas? Por que será que isso aconteceu? Será por que a literatura é capaz de fazer as pessoas terem senso crítico e entrarem em contato com os grandes questionamentos humanos? Será que é porque a literatura é capaz de suscitar o sonho, o delírio, o encantamento, o novo? Por que não baniram a matemática? Ou a física? Quem sabe a geografia? Por que logo a literatura? Certamente porque ela é capaz de mexer com nossas emoções mais profundas, e a instituição escolar, por natureza, tem sido ao longo dos séculos um espaço da ordem, do ortodoxo e não do paradoxo.

criado por anniebcruz    20:26 — Arquivado em: Sem categoria
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