28/10/07
As mulheres de Chico Buarque I

"…mas ardo de desejo
te olho
te guardo
te sigo
te vejo dormir…" Cecília
Ilustração Digital - Homenagem a Chico Buarque

"…mas ardo de desejo
te olho
te guardo
te sigo
te vejo dormir…" Cecília
Ilustração Digital - Homenagem a Chico Buarque

"… vem molhar meu colo
vou te consolar
vem mulato mole
dançar dans mes bras…
…ton soleil tas braise…"
Ilustração digital para Joana Francesa de Chico Buarque

"… um lugar deve existir
uma espécie de bazar
onde os sonhos extraviados
vão parar
entre escadas que fogem dos pés
e relógios que rodam pra trás…"
Ilustração digital para Chico Buarque

Este é o meu livro de estréia como ilustradora e foi feito numa super parceria com duas amigas queridas: A Sandra Pina, que escreveu e a Anna Claudia Ramos, que fez o contato entre nós duas e articulou todo o processo de confecção do livro.
Ele surgiu, na verdade, de um outro que eu tinha ilustrado, também sob a tutela da Anna Claudia. Por conta dessas coisas da vida, o livro não saiu. As ilustrações estavam prontas e a Anna achou que ela mereciam uma nova história. Era o Salão do Livro 2006. Estávamos eu, a Anna e a Sandra tomando um café e tentando achar uma saída. Foi aí que a Anna deu a idéia da Sandra escrever uma história para aquelas imagens, já que nós duas, que conhecíamos o texto original, corríamos o risco de ficarmos repetitivas. A Sandra topou tentar, já que não tinha hábito de escrever para pequenos. Com algumas imagens soltas que eu enviei, ela inventou uma linda história, totalmente diferente da que originou aquelas imagens. E aí eu fiquei achando que um texto tão lindo merecia imagens novinhas em folha. Utilizando apenas alguns elementos das ilustrações originais, criei algo completamente novo. E daí nasceu o Bambalalão, Senhor Capitão, que vai sair agora, pela Editora Salesiana.

Recordar
Não nasce a relva sobre a rocha
Nem ela pode criar flor
Teu coração feito de pedra
Também não pode ter amor.
Não pode a vaga um só instante
No mar imenso repousar
Também não pode a minha mente
Por um instante somente
Teus doces beijos olvidar.
Mas eu bem sei que esse teu peito
Da dura rocha faz diferença
Mas também sei que não te lembras
De quem em ti só pensa.
Ai sim recorda o tempo
Do nosso eterno amor
Sem tirar dentro da alma
Um estranho fulgor.
E quando brilhar a lua
No céu azul sem fim
E nessas noites tão belas
Ai, lembra-te de mim…
(Autor desconhecido)
Poema popular de Leiria – Portugal; século XIX

Quando Ismalia enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…
E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu a o céu,
Seu corpo desceu ao mar…
(Alphonsus de Guimaraens)
Imagem de Anielizabeth
"A linguagem natural da criança é a imagem".
(João Candido Portinari)